Santa Maria de Jetibá é a maior produtora de cebola do ES

26 jan 2016

O município de Santa Maria de Jetibá, na região Serrana do Espírito Santo, é o maior produtor de cebola do estado, com uma produção anual de 14,4 mil toneladas. Cerca de 600 produtores cultivam cebola, sendo a maioria com mão de obra familiar. Mas o longo período de estiagem neste ano prejudicou a colheita para grande parte dos produtores do município.

Sem chuva, as cebolas não se desenvolveram e ficaram pequenas, o que gerou a queda de preço do produto. O agricultor Valdir Hammer colheu 4 mil sacos de cebola em 2014, número que deve cair para 3 mil neste ano.

“A cebola quer chuva, tem que pegar chuva. O preço antes estava na faixa de R$ 70, agora está em R$ 20”, conta Hammer.

Além da falta da chuva, há um racionamento da irrigação, já que o nível dos rios está baixo. Em alguns casos, eles passam longe do nível limite. O governo estadual decretou que os produtores de Santa Maria só liguem as bombas à noite.

O técnico agrícola do Incaper Iosmar Mansk defende que a produção agrícola receba mais água. “A legislação prevê que a prioridade é consumo humano e animal, mas a gente tem que lembrar que da agricultura que vem o alimento. Então se você restringir 100%, nós vamos ficar com água e sem comida”, diz.

Apesar das dificuldades, a cebola ainda é a cultura mais resistente à falta de chuva. As verduras têm sofrido muito mais com a estiagem. “Nós temos hoje 400 hectares de cebola plantados. Já foram mais, mas de quatro anos pra cá a cebola teve queda de preço, os produtores desanimaram um pouquinho”, explica Mansk.

Marcelino plantou antes e conseguiu melhor colheita (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Marcelino plantou antes e conseguiu melhor colheita (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

O agricultor Marcelino Friedrich conseguiu uma boa colheita, mesmo na adversidade. Ele plantou a cebola antes dos demais, em abril. O tempo a mais foi essencial para que a lavoura se desenvolvesse. “Nós plantamos mais na vagem, na baixada. Usamos mais esterco para segurar mais umidade. Teve bastante trabalho, irrigação”, conta.

O produtor preferiu não capinar a lavoura antes da colheita para que o solo ficasse mais fresco e a cebola protegida na sombra. “Pra colheita, esse tempo é ótimo. Se tivesse chovendo agora ia apodrecer muito. Entra água e apodrece”, explica Friedrich.

Sem umidade, a cebola precisa de pouco tempo secando, no próprio saco. Duas semanas são suficientes, desde que seja na sombra, protegida do sol quente. A maior parte da produção é negociada diretamente com os supermercados e hortigranjeiros do estado. A cebola chega mais rápido, mais fresca e a qualidade é reconhecida pelo mercado.

Porém, o produto ainda representa menos de 10% das negociações na Ceasa. Para o técnico do Incaper, ainda existe muito mercado para ser conquistado, mas é preciso criar uma identidade para a cebola capixaba. “A gente precisa criar nossa marca e investir em marketing, porque aí sim vamos avançar na questão do espaço no mercado”, diz Mansk.

 

fonte: G1